Discussão sobre a formatação da pós-graduação em Design constitui-se numa atividade muito recente em termos mundiais. Algumas faculdades de design, como a School of Art & Design da Universidade de Salford, Inglaterra, já vem desenvolvendo teses de doutorado de forma multidisciplinar em associação com outras áreas do conhecimento (www.artdes.salford.ac.uk/). Outro exemplo de abordagem similar é encontrada no Centre of Ceramic and Glass Studies, University of Art and Design Helsinki, oferece cursos de mestrado e doutorado em design (www.uiah.fi/klo/doctoral.html).
Pesquisa versus desenvolvimento econômico
O que se observa, naqueles países em que o Design é tido como uma disciplina importante no desenvolvimento econômico, é que os pós-graduandos e pesquisadores em design apresentam uma abordagem predominantemente prática, porém sem se restringir à uma visão imediata, real. Pelo contrário, observa-se neles um caráter altamente especulativo, experimental.
Reflexão sobre o “aprender fazendo”
Esta abordagem com ênfase na práxis vem como reflexo de uma idéia bastante difundida e muitas vezes perigosa de que design se aprende fazendo (learning by doing), uma idéia do nosso ponto de vista reducionista, que não consegue abranger o papel científico que a esta disciplina pode ser atribuído. Esta idéia, tomada assim de maneira excludente, tira a perspectiva de uma reflexão quanto à prática assim como impede o crescimento de uma filosofia de design que se adeque de melhor forma a nossa realidade. Se hoje falamos em um Design alemão ou italiano, isto só pode ser feito porque nestes países, de uma forma ou de outra, a postura crítica quanto ao design permeou e permeia esta prática de maneira intensa.
Contrapondo teoria e prática
Mas a práxis não deve ser tomada igualmente sob um ponto de vista oposto, o de que a pesquisa no campo do Design somente possa ser operacionalizada a partir da teoria. Como o Design, tanto na graduação quanto na pós-graduação, pressupõe uma inserção futura na realidade produtiva, a questão prática adquire uma importância não menor. Formar apenas teóricos, não seria adequado, na medida em que as empresas necessitam de pessoal qualificado que permitam um melhor desempenho no mercado e portanto o desenvolvimento tecnológico. Como bem aponta COUTO [1999], design "é uma disciplina que tem por base elementos disponibilizados pelo conhecimento científico, empírico e intuitivo".

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