Mudanças no tipo de sociedade

Nos países desenvolvidos fala-se muito da transição de uma sociedade industrial para uma sociedade de informação e serviços. Embora esta mudança também venha afetando o Brasil de uma forma geral, é provável que os setores agrícola e industrial mantenham uma grande importância em função do estágio de desenvolvimento no qual o nosso país se encontra (ENTAC, 2002).

Pode-se destacar o envelhecimento da população, diminuição no tamanho das famílias, mudança no perfil das famílias (maior incidência de famílias não convencionais). Tais mudanças devem provocar mudanças consideráveis nos requisitos dos usuários de habitações (ENTAC, 2002). Várias tendências gerais podem ser identificadas, destacando-se o aumento do papel da mulher na sociedade; o maior tempo gasto em lazer, em função da redução gradual da jornada de trabalho; a individualização do modo de vida; e o aumento do nível educacional. Algumas destas mudanças provavelmente tendem a ocorrer numa velocidade menor no Brasil, em relação a países desenvolvidos. Estes novos modos de vida deverão também desencadear mudanças nos requerimentos dos clientes do profissional de design (ENTAC, 2002).

Existe, também, uma tendência geral de redução do papel do estado, sendo diminuído o seu papel como contratante direto de serviços. O mesmo passará a ter um papel preponderantemente de agente promotor, financiador e regulamentador. Contudo, o processo de tomada de decisão na sociedade deverá se tornar mais dinâmico e complexo, em função da descentralização das decisões, resultado do aumento da participação da sociedade (ENTAC, 2002).

Panorama Econômico

Relatório do IPARDES (2002) aponta para um fenômeno inédito na economia mundial nas duas últimas décadas: os três grande pólos (Estados Unidos, Europa e Japão) apresentam uma trajetória declinante de atividade. Os ataques terroristas e a reação americana serviram para aprofundar a trajetória de desaceleração da economia mundial. Os fatores objetivos como taxas de juros do Federal Reserve Bank (FED) e Banco Central Europeu denotam a reduzida probabilidade de ocorrência de uma guinada no ambiente recessivo no curto prazo. Esta situação tem desdobramentos diretos para os países da Ásia e América Latina e, por conseqüente, no volume e tipo de atividade do profissional designer nestes países.

Os impactos da crise mundial na economia da América Latina, particularmente na região do Mercosul, são bastante apreciáveis. Sob o aspecto conjuntural a economia brasileira já vem apresentando sinais bastante nítidos de desaceleração desde o começo de 2001, acompanhando a marcha da redução da atividade econômica a nível mundial, a crise Argentina e o colapso energético ainda onipresente. A moderada expansão da economia brasileira no período é decorrente principalmente devido ao setor agropecuário. Percebe-se, entretanto, que outros setores como o de comunicações vem apresentando crescimento, principalmente como decorrência da maturação dos investimentos pós-privatização.

O crescimento da produção industrial vem acompanhando os investimentos na expansão da infraestrutura em energia elétrica (transformadores, baterias, acumuladores) e no setor agrícola (máquinas e equipamentos). No caso das inversões em energia, percebe-se uma premência das empresas buscarem alternativas de geração ou de processos mais eficientes devido ao risco de racionamentos futuros e da nova realidade tarifária.

A renda média da população brasileira, principalmente aquela localizada nas regiões metropolitanas tem reduzido ao longo dos anos. A título de ilustração, entre 2000 e 2001, apesar da redução da taxa de desemprego entre a População Economicamente Ativa (PEA) ter reduzido de 7,5% para 6,0%, a renda real dos trabalhadores recuou quase 3,0%.

Desenvolvimento Tecnológico

O aumento da velocidade de desenvolvimento tecnológico requer uma necessidade contínua de aprendizagem e maior flexibilidade por parte das organizações. Tal flexibilidade só pode ser obtida através de maior qualificação, autonomia e participação dos recursos humanos (ENTAC, 2002). O Subprograma Geral I do PBD – Programa Brasileiro de Design prega que “...a sociedade precisa estar motivada e consciente da necessidade e utilização do design, uma ferramenta que promove a adequação ao uso, a funcionalidade e a identificação visual, agregando valor a produtos e serviços”. A ligação a nível governamental do PBD com outros programas ligados à exportação demonstra o entendimento do poder público e do setor privado quanto ao impacto do design nas exportações;

O tema do desenvolvimento social, onipresente na agenda de política pública, ganha novos contornos com a emergência de novas tecnologias e o desenvolvimento de técnicas e padrões de consumo e produção. As tecnologias da informação, sem dúvida, exemplificam de forma ímpar a necessidade de uma abordagem inovadora para as políticas públicas, que seja capaz de tratar de assuntos complexos como a inclusão e exclusão digital,a alfabetização funcional em informática e a disseminação de novas práticas e protocolos de produção de bens e serviços.

O processo educacional e, até mesmo,a própria noção de escola, passarão nos próximos anos por verdadeira revolução imposta pela adoção das novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), pelo uso intenso da digitalização e da comunicação a distância. As transformações tecnológicas irão ainda alterar profundamente os padões de consumo e de produção de bens culturais e traduzirão novas formas de acesso,com forte ênfase nos veículos digitais,em particular a Internet. Criam-se,desse modo,não apenas oportunidades para o registro das manifestações culturais, como os conhecimentos e tradições populares, a diversidade lingüística dos povos e o patrimônio artístico e arquitetônico, mas também para registro e compilação de conhecimentos e informações científicas e tecnológicas em bancos de dados.

Outros setores, como saúde, alimentação,também serão objeto de transformações radicais com o desenvolvimento de novas tecnologias, como a terapia gênica, a medicina regenerativa, a tecnologia de alimentos, o desenvolvimento de novos medicamentos, do uso intensivo da genética (genômica e proteômica) na criação de novos seres e de suas partes.

No campo da nutrição, vislumbra-se a possibilidade da utilização de alimentos geneticamente modificados que possam auxiliar na solução de problemas que afetam populações pobres em todo o mundo, como desnutrição,deficiências no sistema imunológico e carências de vitaminas e compostos orgânicos necessários ao crescimento saudável das crianças, além da adaptação de culturas agrícolas a condições desfavoráveis de solo e clima (MCT, 2002). Para os países em desenvolvimento, as inovações nos campos do saneamento, despoluição de bacias hidrográficas, tratamento de resíduos sólidos, métodos de produção mais limpa,entre outros, significarão avanço considerável na preservação do meio ambiente,combate às doenças de veiculação hídrica elevação da qualidade de vida das populações que habitam as periferias dos grandes centros urbanos.

O  Subprograma Geral II do PBD no que tange a “Informação, Normalização e Proteção Legal” defende que o design precisa ser incluído nas atividades de normalização técnica e nos serviços de informação e proteção legal. Para isso, o PBD objetiva fortalecer, ampliar e integrar os sistemas e redes de informação do setor; estimular a transferência de tecnologia e a proteção legal do design dentro e fora do País. aprimorar padrões e normas técnicas ligadas ao desenvolvimento de design de produtos; e desenvolver estudos e pesquisas para identificar indicadores sobre o impacto do design na economia brasileira 

Relacionamento com Clientes e Fornecedores

Tende a aumentar o foco nas necessidades dos clientes, devendo ser enfatizado o controle horizontal de processos, baseado na definição clara de relações cliente-fornecedor, em oposição ao controle vertical, típico de estruturas hierárquicas funcionais. Assim, um maior esforço de identificação do perfil e dos requisitos dos clientes deverá ser realizado. Isto envolverá não somente métodos diretos (por exemplo, pesquisas através de questionários e entrevistas), mas também métodos indiretos que permitem estimar aqueles requisitos que os clientes têm dificuldade de externalizar.

Um dos mecanismos que deverá ser fortemente utilizado é a participação direta dos clientes nas decisões, dentro de um processo de desenvolvimento de produto adequadamente planejado, principalmente no caso de órgãos ou empresas contratantes. Um esforço maior também deverá ser aplicado ao processo de "educar" o cliente quanto ao produto que está sendo adquirido, incluindo desde a disseminação de informações quanto a alternativas de produtos ou serviços e seus respectivos custos, até instruções sobre como usar adequadamente o produto.

A simulação de resultados através de modelos (por exemplo, de realidade virtual) poderá ser usada para validar projetos de produtos. Garantias reais de bom funcionamento do produto deverão ser oferecidas, da mesma forma que existe em outras indústrias. Cada vez mais edifícios e espaços livres postos em uso, qualquer que seja a sua função, devem ser avaliados, sob diversos enfoques (por exemplo, construtivo e espacial), levando em conta o ponto de vista de seus usuários. A avaliação da satisfação do cliente, realizada através dos procedimentos de avaliação pós ocupação, é essencial para retro-alimentar o processo de construção de edificações, de forma a definir as ações corretivas necessárias e propor diretrizes para novos empreendimentos semelhantes (ENTAC, 2002).

Os fabricantes deverão buscar aumentar o valor dos seus produtos através de serviços associados, tais como projeto, serviço de entrega mecanizada e planejada, instalação e manutenção durante o uso. Alguns destes fabricantes poderão se engajar fortemente no processo de projeto, podendo oferecer alternativas tecnológicas a partir de uma especificação de desempenho.  Os contratos de fornecimento deverão claramente definir os compromissos das partes. Alguns dos setores fabricantes tendem à forte internacionalização (por exemplo, cerâmica para revestimento, pedras naturais, etc.). Os revendedores de materiais, que têm um importante papel no atendimento a pequenos consumidores, poderão assumir papéis de mais impacto da cadeia, tais como gerenciamento logístico e montagem de kits.

Mudanças qualitativas e quantitativas do mercado

Com o amadurecimento do mercado, os clientes passarão a ter consciência de que existe a necessidade de considerar os custos totais dos produtos (incluindo manutenção e operação) nas decisões de projeto e aquisição. Possivelmente haverá mudanças na lógica de alguns mercados, nos quais a demanda será por produtos e serviços (em oposição à demanda por competências). Em termos de requisitos dos produtos, haverá uma demanda crescente por produtos sustentáveis, inteligentes, individualizados (ou “customizados”) e flexíveis (ENTAC, 2002).

Existe uma tendência de aumentar o poder de barganha por parte dos compradores em função do aumento da competição e também pela maior conscientização em relação aos direitos do consumidor. De uma forma geral, deverá aumentar o mercado de manutenção e reformas, assim como poderão crescer os mercados relacionados a novos vetores de desenvolvimento tais como preservação do meio ambiente, recuperação do patrimônio histórico, turismo, telecomunicações, entre outros. Particularmente no caso do Brasil, os mercados habitacional e de obras de infra-estrutura urbana tendem a permanecer relativamente grandes em função das carências existentes (ENTAC, 2002).

Deverá reduzir a demanda direta por parte do estado, aumentando a necessidade de organização por parte da sociedade. O grau de responsabilidade por parte dos intervenientes tende aumentar, assim como a necessidade de espírito empreendedor por parte dos mesmos. Tende a aumentar a participação de empresas privadas nos investimentos em infra-estrutura e na operação de serviços públicos, muitas vezes através de iniciativas envolvendo parcerias entre poder público e iniciativa privada. A internacionalização de mercados, nos níveis mundial e regional (por exemplo, Mercosul) poderá oferecer oportunidades de ampliação de negócios e, ao mesmo tempo, criar novas demandas (por exemplo, infra-estrutura relacionada ao comércio internacional). A necessidade de harmonização de blocos econômicos poderá representar um obstáculo à integração de mercados (ENTAC, 2002).

De uma forma geral, o mercado informal deverá manter-se elevado no Brasil. Dependendo da velocidade de modernização dos setores da economia, o mercado informal poderá assumir um papel distinto, mais voltado a complementar o mercado formal. Nesta situação, o segmento informal de componentes se aproximaria do mercado de componentes DIY - Do It Yourself (“faça você mesmo”), que é relativamente evoluído em países desenvolvidos. Neste sentido, existe uma oportunidade para a indústria de fabricantes de componentes para desenvolver produtos mais adequados a esse mercado - por exemplo, componentes leves, montagem relativamente simples, instruções claras. Assim como deverá ocorrer no mercado formal, o mercado informal também deverá ter um crescimento da parcela de atividades relacionadas a manutenção e reformas (ENTAC, 2002).

O reconhecimento da cidade informal é uma tendência irreversível, e o setor público, principalmente o municipal, demandará serviços e projetos não convencionais. A integração da cidade informal à cidade legal requer um grande esforço de regularização da propriedade (fundiária), bem como de uso do solo; procedimentos e técnicas não convencionais para infra-estrutura urbana; bem como novos enfoques na gestão, principalmente para a manutenção e operação de edificações e serviços urbanos.

Tendências no Padrão da Oferta

Tem havido um aumento da consciência de que há forte interdependência entre os agentes da cadeia produtiva em termos de desempenho. Em função disto, será crescente a necessidade de gerenciar a cadeia produtiva como um todo, partindo da premissa de que em muitas situações a competição por investimentos e mercados ocorrerá entre diferentes cadeias. Em função disto, deverá haver mudanças de atitude por parte dos diferentes agentes, os quais buscarão maior cooperação entre si ao invés de confrontação. Tende a aumentar a formação de alianças estratégicas, redes cooperativas e parcerias entre empresas, as quais mantêm vínculos não estritamente comerciais ao longo de diversos empreendimentos. Deverá também crescer o número de ações de âmbito nacional ou regional, promovidas por entidades setoriais, articuladas em torno de programas de melhoria da qualidade ou de gestão integrada de cadeias produtivas. 

Em função da crescente turbulência nos mercados, as empresas deverão continuamente adaptar suas estratégias às mudanças no ambiente de negócios, devendo as mesmas ser operacionalmente flexíveis. As empresas menos vulneráveis serão aquelas com melhor capacidade de se posicionar (e pensar) estrategicamente. Neste contexto, a função produção passa a exercer um papel estratégico mais importante, em função de algumas dimensões competitivas que vêm se tornando mais importantes, tais como confiabilidade de prazo, velocidade e flexibilidade (volume, mix, produto e tempo). A globalização criará muitas oportunidades de alianças e joint ventures (mais do que a exportação de serviços) (ENTAC, 2002).

Deverá diminuir o número de fornecedores com os quais cada empresa trabalhará, através do estabelecimento de parcerias de mais longo prazo. Neste contexto, existe uma forte tendência de sub-contratação, que, em alguns casos, passará a incluir materiais e mão de obra. Em grandes empreendimentos a sub-contratação pode atingir vários níveis. Assim, as micro e pequenas empresas fornecedoras de serviços sub-contratados desempenharão um papel técnico e econômico cada vez mais importante no setor industrial e de serviços.
 

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