Envelhecimento da População

A população brasileira como um todo envelheceu. Pesquisas do IPEA (desigualdade e Pobreza no Brasil) e IBGE (Síntese dos Indicadores Sociais 2000) indicam a continuidade do processo de envelhecimento da população brasileira, resultante da redução da fecundidade associada à redução da taxa de mortalidade e à elevação da expectativa de vida das pessoas. Isto vêm se refletindo num gradual aumento da participação de idosos na população.

Taxa de crescimento descrescente e expectativa de vida mais alta
A taxa de crescimento da população brasileira também vem se reduzindo. Diante do nível atual de fecundidade, a taxa de crescimento populacional é estimada em torno de 1,1%. Quanto à expectativa de vida, a região Sul é a que apresenta a maior (70,8 anos) e o Nordeste a menor (65,5 anos), com a média de 68,4 anos para a população brasileira. Além disto, segundo Camarano & Pesinato (2002) enquanto 4,7% da população brasileira era constituída por mulheres idosas, em 16,7% das famílias brasileiras encontrava-se pelo menos uma idosa. Esta proporção tem sido crescente no decorrer do tempo.

Arranjo familiar

Em 2000, mais da metade - 55,4% - das famílias brasileiras ainda eram formadas por arranjo do tipo “casal com filhos”, dentro do modelo clássico da família nuclear. Desse conjunto, 52,4% tinha como responsável um homem e 3,0%, uma mulher. Porém no geral, as mulheres são responsáveis por 26,6% das famílias brasileiras (CENSO 2000). A proporção do arranjo “casal com filhos” no total de arranjos familiares vêm declinando. Por outro lado, aumentaram as proporções de arranjos do tipo casais sem filhos, mulheres sozinhas e mães com filhos.  Entre 1978 e 1998 o número médio de membros cai para todos os tipos de arranjos domiciliares, especialmente entre os arranjos de casais com filhos. O número médio de pessoas por família é de 3,4. Na região Sul, a média de integrantes de uma família é de 3,3. Ainda segundo o Censo 2000, 81,3% das famílias são formadas por 2 a 5 pessoas (CENSO, 2000).

A diminuição do tamanho médio dos arranjos pode ser atribuída a vários fatores, entre os quais dois merecem destaque. O primeiro está relacionado ao aumento do número de arranjos, que pode, por exemplo, ser decorrente do aumento do número de separações, do número de filhos que passam a viver em seu próprio domicílio, ou do número de idosos que cada vez menos se agregam a outros núcleos familiares em seu envelhecimento. O segundo, e mais importante, é a acentuada queda da fecundidade observada no Brasil nas últimas décadas.

Renda

No Brasil 48% dos ocupados têm rendimentos de até dois salários mínimos sendo que deste total somente 69,4% são empregados formalmente (IBGE, 1997). Tal situação tem direta implicação nos direcionamentos estratégicos da construção civil visto que o déficit habitacional, estimado em 5,3 milhões de moradias concentra-se em 95,5% da população na faixa de renda de até cinco salários mínimos (FIBGE-PNAD, 1997). Além disto, de acordo com o Censo (2000), a população brasileira, que já se urbanizou rapidamente ao longo do século, concentra-se ainda mais nas cidades ao longo dos últimos anos. Nada menos que 81,2% dessa população moram nas cidades, com forte concentração em regiões metropolitanas.

Condições do Habitat

Entre os 40% mais pobres da população, 31,1% possuem domicílios com saneamento básico, 2,8% são estudantes de nível superior, 32,1% são empregados sem carteira de trabalho assinada, 25,7% são trabalhadores na agropecuária e apenas 8,8% são trabalhadores na industria de transformação. 20,1% dos trabalhadores recebiam até 1 salário mínimo no ano de referencia (IBGE 2002). Já em relação aos 10% mais ricos da população, 80,5% possuem domicílios com saneamento básico, 25,5% são estudantes de nível superior, apenas 6,8% são empregados sem carteira de trabalho assinada, 3,9% são trabalhadores da agropecuária e 14,6% são trabalhadores na industria de transformação (IBGE 2002).

As redes de energia elétrica domiciliar e de água são as que têm sido implantadas com maior freqüência. Dos domicílios brasileiros, 76,1% são servidos por água canalizada e rede geral de distribuição, 52,8% têm sistema de esgoto e fossa séptica, 79,9% são servidos pelo serviço de coleta de lixo e 94,8% das residências são abastecidas por energia elétrica (PNAD 1999 e microdados IBGE 2000). Porém, esta é a realidade brasileira geral. A realidade da população de baixa renda brasileira é um pouco diferente. Esta população tem carências ainda maiores. Segundo a Sanepar, o custo da coleta e tratamento de esgoto (para que este, depois de tratado, possa ser despejado no rio) é pelo menos 2 vezes mais caro do que o de tratamento e distribuição de água. Com o dinheiro gasto na instalação de um quilômetro de rede de esgoto é possível instalar, no mínimo, 2 quilômetros de rede de água tratada. Isto explica por que o sistema de esgoto está tão defasado em relação ao de abastecimento de água.
 

Produtos presentes no Habitat

Em se tratando de bens materiais, segundo os resultados definitivos do CENSO 2000, percebe-se que nos municípios maiores a população está mais bem servida de bens duráveis. Nos municípios com até 20 mil habitantes, 81,4% dos domicílios tinham rádio, 74,2% tinham televisão e 67,1%, geladeira. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, as proporções de domicílios com esses bens eram de 92,8%, 96% e 94,9%, respectivamente. O microcomputador estava presente em 19,6% dos domicílios nos municípios maiores e em apenas 2,7% nos menores. Para o videocassete, essa relação era de 53,6% para 13,75% (mais de 500 mil e menos de 20 mil habitantes); para forno de microondas, 32,9% e 6%; para máquina de lavar, 49,7% e 14%; para aparelho de ar-condicionado, 12,2% e 2,4%; e para automóvel de uso particular, 40,4% e 23,6%.
 

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